saiu!
matemática romântica…
clipe dirigido por Guilherme Outsuka
Atriz: Fernanda Catani
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Uma vez fiz um samba. Outra vez me arrependi. Ninguém pode dizer “fiz um samba” e sair impune. Samba é uma matéria de manipulação controlada por órgãos e instituições com sede nas tripas coração de uma certa gente que tem parte com eclipses, madrugadas inteiras e ânsias de vômito e esperma.
Bem, fiz um samba. O Controle Gabiru gravou. Não gostamos do resultado – e olha que nosso discernimento é meio vesgo dadas as coisas que aprovamos -… umas guitarrinhas meio bregas lá pelo meio. Não sei, mas acho que vou tentar gravar de novo… e por isso venho, por meio desta, pedir perdão a quem interessar fossa.
letra:
De Passagem
Quando tu, só de passagem
Deseduco a atenção
Digo que o cheiro é do olho
O toque é do sonho
E a voz é da mão
Priorizo a insuficiência do ângulo
Fico disposto pra arredores
Troco o ponto de vista
Por reticências astigmáticas
Emprego línguas asmáticas
A babar sonhos vencidos
Nas margens púbicas de um clitóris
Pois é sempre nesse espanto
Quando tu, só de passagem
Encosto o peito no tento
O nariz no vento
E me escorrega a paisagem
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Aquelas notinhas no sopro que parecem meio sem-querer… aquela bateria difusa que sempre quase começa, e nesse só quase é que se basta… o piano de várias uma nota só…
Aquilo ali talvez seja a melhor coisa de trinta segundos que se pode experimentar, depois de certas coisas que acontecem quando a puberdade.
Todo mundo deveria escutar esse coltrane pelo menos uma vez na vida, pelo menos essa introdução de trinta segundos. Se gostar, continue pelos demais sete minutos da canção. Se gostar, pegue o disco inteiro que sai barato (aliás, esse post veio de uma cópia desse CD que vi lá nas prateleiras da Bemol da Ponta Negra, a 18,90R$).
Pra pegar gosto, aqui vai o que estou falando:
“Acknowledgement”, primeiro ato do disco “A Love Supreme”, do Coltrane.
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Manaus sempre teve muito disco que nunca saiu, fosse por causa da falta de dinheiro ou da falta de interesse dos músicos… sim, nossos heróis sempre foram dos doidões.
Queria ter ouvido um disco da Manhã de Abril, por exemplo, que tocou durante alguns poucos anos entre o fim dos anos 70 e começo dos 80; ou da Tariri, dessa mesma época.
Há também o caso do segundo CD da Charlie Perfume, com o Miltinho nos vocais. Esse disco tinha que ter saído… aliás, ficou pronto, produzido pelo Bruno, da Several. Mas cadê? Ouvi apenas O Mundo Gira, que saiu na coletânea Casa da Árvore, e uma versão não finalizada de outra que não me lembro o nome, mas que diz “vou gravar uma fita cassete/ com silêncios pra você”.
Desconfio que este seria um disco muito, muito bom.
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Hoje tem muita coisa boa no Tulipa. Aliás só de estar aberto, o Tulipa já faz minha noite. Tem Monalisa Plug, com sem som bipolar, como todo bom universo deveria ser feito. Eles entenderam que silêncio e ruído têm o mesmo grau de importância num arranjo.
Não, os opostos não se atraem, não se estranham nem se completam… os opostos SE DEFINEM.
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Por que falar sobre rock? Quando é que, de repente, um vagabundo com propensões camaleoas ergue-se das sarjetas misteriosas de onde a luz do poste não chega, para o centro de todas as atenções, para o topo do mundo e de volta a seu exílio de marginal… sim, porque é exatamente essa capacidade de circulação, de trânsito livre, que tanto instiga os amantes de rock. O rock preenche vácuos, é sugado de vácuo social em vácuo social, por eras afora e madrugadas adentro; o rock é reação.
O rock não existe no sentido clássico, no caráter absoluto de uma enciclopédia. A cada virada de esquina o que fora rock já morrera, a cada piscadela os modelos serão outros. É precisamente por tentar capturar um desses instantes efêmeros que precisamos falar sobre rock, domar nem que seja um de seus momentos, guardá-lo no bolso para um dia de “bons e velhos tempos”.
Quando dizemos que o rock é uma reação, e um vagabundo com propensões camaleoas, estamos tentando aferir um conceito que possa abranger todas as suas ramificações. Não há outra forma de caracterizar um “estilo” que já foi apenas dos negros e apenas dos brancos; que já habitou, num momento, torres inatingíveis de pedras preciosas com seu caráter progressivo de exímios e experientes músicos, e noutro, as garagens confusas de músicos de ocasião, de pré-adolescentes que nem conseguiam cultivar a própria barba…
…Que já cantou as glórias das menininhas de dezesseis anos na cama num dia, e lutou pelos direitos das mulheres no outro; que já usou botinas de exército para pregar anarquia; que na época do iê-iê-iê no Brasil, foi fazer sua revolução junto com o samba e o baião. Se todo mundo canta engajado, o rock fala de amor; ou consegue, às vezes, ser engajado exatamente porque fala de amor.
Dizem que o rock está em todos os canais de televisão, moldado para toda a família; que está em festivais de milhões de dólares bancados por companhias de telefonia e pela grande mama Petrobras; no barzinho pé-sujo das gentes de preto, com som abafado, onde não se distingue um acorde distorcido de um grito de refrão; no pub com ar condicionado central das meninas quase pagando peitinho, com banda tocando com retorno via fone. Não. O rock não está lá… foram ver, já passou.
O rock mesmo, esse vapor vagabundo, ninguém sabe o que é. De repente, tenha sido apenas uma vontade, um hormônio, uma descoberta sexual nos ossos do ouvido, uma adolescência reincidente, pois.
Talvez.
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Sempre me arrependo na hora de trocar um instrumento. Não é questão de ter feito ou não um bom negócio; é só o fato de que alguém tem sempre que ir embora.
Do outro lado da moeda, onde a ansiedade pesa, é sempre boa a hora de checar os bolsos e as quinas de quem chega, pois todo timbre merece um baculejo. Essa nova aquisição, por exemplo, tem um veludo, um mofo… ela diz que vai doer.
Seja bem-vinda.
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Quem não tem cão caça com vírgula. Estou fazendo uns tecladinhos usando o próprio computador, com alguns efeitos de ruído e simulações de amp.
O mais legal é ter que decorar acordes como G L : “, ou S F H K. No meio disso, X sobe uma oitava, Z desce, e o TAB sustenta. Cada dia tem sua língua.
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O Controle Gabiru anuncia que, a partir desta noite, o caminho para o surgimento de toda e qualquer fonografia que presta pra ficar perdido está em reclamar de si, em si e para si, como nenhuma pedra jamais fora capaz.
Aproveitemo-nos de nossas faculdades motoras, além das cordas e dos couros esticados. Sim! Caminhemos rumo aos cantos… lá, onde ecos são como somos, boas frequências sempre à casa tornam.
“Vastas Todas As Coisas”, novo disco do Carroça ficará pronto em quem sabe.
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