Entradas do Junho 2008
Fim de semana cheio. Aliases e Underflow em duas dobradinhas. No Tulipa Negra, sexta (27/06); e no Toca da Sinuca, sábado, no Toca Rock da Push Play produções.
Paralelamente, Os Tucumanus no Clube do Chope, na mesma sexta-feira, lá pelas tantas; e no sábado, no Arraial do Tulipa Negra, no momento em que ninguém mais se preocupar com horário. Haja gasolina, haja vodka.
Oração pra pedir por força
Meu pai Ogum, espalho minha terra como pedis,
Meu suor, minha urina,
E tudo o que não é meu repousará sob,
E só será visto através de mim,
De meus poros, de Vosso reflexo,
Desse reflexo sob o qual repouso eu,
Sob Vossos poros,
Assim como pedis
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Agora é profissional! Ao contrário dos dois primeiros e toscos clipes do carroça, que todos podem conferir clicando no link da coluna ao lado (carroça pra ver), vai sair um vídeo bacana de “auto-estima” (que também pode ser baixada no link carroça pra baixar), dirigido por Guilherme Outsuka, mais conhecido como Velho Tarado por seu blog.
Recebi hoje a notícia de que o clipe está em fase de edição. Outras produções do diretor aqui.
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Manaus sempre teve muito disco que nunca saiu, fosse por causa da falta de dinheiro ou da falta de interesse dos músicos… sim, nossos heróis sempre foram dos doidões.
Queria ter ouvido um disco da Manhã de Abril, por exemplo, que tocou durante alguns poucos anos entre o fim dos anos 70 e começo dos 80; ou da Tariri, dessa mesma época.
Há também o caso do segundo CD da Charlie Perfume, com o Miltinho nos vocais. Esse disco tinha que ter saído… aliás, ficou pronto, produzido pelo Bruno, da Several. Mas cadê? Ouvi apenas O Mundo Gira, que saiu na coletânea Casa da Árvore, e uma versão não finalizada de outra que não me lembro o nome, mas que diz “vou gravar uma fita cassete/ com silêncios pra você”.
Desconfio que este seria um disco muito, muito bom.
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Hoje tem muita coisa boa no Tulipa. Aliás só de estar aberto, o Tulipa já faz minha noite. Tem Monalisa Plug, com sem som bipolar, como todo bom universo deveria ser feito. Eles entenderam que silêncio e ruído têm o mesmo grau de importância num arranjo.
Não, os opostos não se atraem, não se estranham nem se completam… os opostos SE DEFINEM.
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Por que falar sobre rock? Quando é que, de repente, um vagabundo com propensões camaleoas ergue-se das sarjetas misteriosas de onde a luz do poste não chega, para o centro de todas as atenções, para o topo do mundo e de volta a seu exílio de marginal… sim, porque é exatamente essa capacidade de circulação, de trânsito livre, que tanto instiga os amantes de rock. O rock preenche vácuos, é sugado de vácuo social em vácuo social, por eras afora e madrugadas adentro; o rock é reação.
O rock não existe no sentido clássico, no caráter absoluto de uma enciclopédia. A cada virada de esquina o que fora rock já morrera, a cada piscadela os modelos serão outros. É precisamente por tentar capturar um desses instantes efêmeros que precisamos falar sobre rock, domar nem que seja um de seus momentos, guardá-lo no bolso para um dia de “bons e velhos tempos”.
Quando dizemos que o rock é uma reação, e um vagabundo com propensões camaleoas, estamos tentando aferir um conceito que possa abranger todas as suas ramificações. Não há outra forma de caracterizar um “estilo” que já foi apenas dos negros e apenas dos brancos; que já habitou, num momento, torres inatingíveis de pedras preciosas com seu caráter progressivo de exímios e experientes músicos, e noutro, as garagens confusas de músicos de ocasião, de pré-adolescentes que nem conseguiam cultivar a própria barba…
…Que já cantou as glórias das menininhas de dezesseis anos na cama num dia, e lutou pelos direitos das mulheres no outro; que já usou botinas de exército para pregar anarquia; que na época do iê-iê-iê no Brasil, foi fazer sua revolução junto com o samba e o baião. Se todo mundo canta engajado, o rock fala de amor; ou consegue, às vezes, ser engajado exatamente porque fala de amor.
Dizem que o rock está em todos os canais de televisão, moldado para toda a família; que está em festivais de milhões de dólares bancados por companhias de telefonia e pela grande mama Petrobras; no barzinho pé-sujo das gentes de preto, com som abafado, onde não se distingue um acorde distorcido de um grito de refrão; no pub com ar condicionado central das meninas quase pagando peitinho, com banda tocando com retorno via fone. Não. O rock não está lá… foram ver, já passou.
O rock mesmo, esse vapor vagabundo, ninguém sabe o que é. De repente, tenha sido apenas uma vontade, um hormônio, uma descoberta sexual nos ossos do ouvido, uma adolescência reincidente, pois.
Talvez.
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Letra:
Todas As Coisas Vastas
Que chegasse bêbada e sozinha
Nos opacos de chuva da esquina
Rumo a tua boca, adivinha…
Sem prumo, sem razão, sem saída
Todas as coisas
Vastas
Todas as coisas
Obtusas tais palavras que ardem a garganta como cosmogonia…
Todos os nomes que me fazem falta
Todas as noites irrecuperáveis
Todos os copos venham todos os copos
Todos os corpos venham todos os corpos
Todas as coisas
Vastas
Todas as coisas
Obtusas tais palavras que ardem a garganta como cosmogonia…
(originalmente um post no controle gabiru, agora virou música)
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Etiquetado: boca, carroça, coisas, letras
Sempre me arrependo na hora de trocar um instrumento. Não é questão de ter feito ou não um bom negócio; é só o fato de que alguém tem sempre que ir embora.
Do outro lado da moeda, onde a ansiedade pesa, é sempre boa a hora de checar os bolsos e as quinas de quem chega, pois todo timbre merece um baculejo. Essa nova aquisição, por exemplo, tem um veludo, um mofo… ela diz que vai doer.
Seja bem-vinda.
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Etiquetado: baculejo, instrumento, música, moeda, mofo, timbre, veludo
Quem não tem cão caça com vírgula. Estou fazendo uns tecladinhos usando o próprio computador, com alguns efeitos de ruído e simulações de amp.
O mais legal é ter que decorar acordes como G L : “, ou S F H K. No meio disso, X sobe uma oitava, Z desce, e o TAB sustenta. Cada dia tem sua língua.
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Etiquetado: computador, língua, música, teclado
Letra:
A boca como se quase
Água escorrendo em pedra polida
Na face dessa terra o olho era teu
Vontade escorrendo dedos
Desenhando a sombra da minha mão
No teu pescoço
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Etiquetado: carroça, letras
O Controle Gabiru anuncia que, a partir desta noite, o caminho para o surgimento de toda e qualquer fonografia que presta pra ficar perdido está em reclamar de si, em si e para si, como nenhuma pedra jamais fora capaz.
Aproveitemo-nos de nossas faculdades motoras, além das cordas e dos couros esticados. Sim! Caminhemos rumo aos cantos… lá, onde ecos são como somos, boas frequências sempre à casa tornam.
“Vastas Todas As Coisas”, novo disco do Carroça ficará pronto em quem sabe.
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Etiquetado: carroça, cordas, ecos, música